Perda total no seguro: como a indenização é calculada
Quando o carro dá perda total, quanto o seguro paga, em quanto tempo e por que a Tabela FIPE do dia do acidente faz diferença no valor.
Ninguém contrata seguro pensando em perda total, mas é nessa hora que o contrato mostra o que vale. A indenização integral acontece quando o conserto não compensa ou quando o carro é roubado e não aparece. O valor pago depende de três coisas: o critério escrito no seu contrato, a modalidade contratada e o preço do carro na tabela no dia do sinistro, não no dia em que você fez o seguro.
O essencial
- Não existe mais uma regra única de 75% para dar perda total. Desde 2021, cada contrato precisa definir o critério (Circular Susep 639).
- Na modalidade mais comum, o seguro paga o valor da tabela de referência (em geral a FIPE) no dia do sinistro, multiplicado pelo fator de ajuste contratado.
- Como o carro desvaloriza, a indenização também cai: um Onix 2023 perdeu R$ 5.414 na FIPE em 12 meses.
- A seguradora tem até 30 dias para pagar, contados da entrega dos documentos básicos. Pedido de documento extra suspende o prazo.
- Depois de pagar a perda total, o carro (o salvado) passa a ser da seguradora.
Como funciona a perda total no seguro
A antiga Circular Susep 269, de 2004, dizia que havia indenização integral quando o prejuízo chegava a 75% do valor do carro na apólice. Essa circular foi revogada pela Circular 639, que vale desde setembro de 2021. Hoje a regra é outra: as condições contratuais de cada seguradora é que estabelecem os critérios para caracterizar a perda total. Muitos contratos continuam usando 75%, mas o número que vale é o do seu.
Mito ou verdade: perda total
pelo que dizem as regras da Susep
- Mito“Perda total é sempre quando o conserto passa de 75%”
Essa era a regra da Circular 269/2004, revogada em 2021. Hoje o percentual está nas condições do seu contrato.
- Mito“O seguro paga o valor da FIPE de quando eu contratei”
No valor de mercado referenciado, vale a cotação do carro na data do sinistro, com o fator de ajuste contratado.
- Mito“A seguradora pode descontar danos que o carro já tinha”
É proibido descontar avarias constatadas antes, na vistoria, quando a indenização é integral (art. 10).
- Depende“A franquia pode ser descontada na perda total”
Só se as condições contratuais disserem isso expressamente, segundo a Susep.
- Mito“O carro batido fica comigo”
Depois do pagamento integral, o salvado passa a ser da seguradora. A exceção é a cobertura parcial, em que ele fica com o segurado.
Fonte: Circular Susep nº 639/2021, em vigor desde 1º/9/2021. Fonte: Susep, página "Seguro de automóveis" (gov.br/susep).
Quando o conserto vira perda total
Exemplo com um contrato que usa 75%: num carro de R$ 80 mil, orçamento a partir de R$ 60 mil já dá direito à indenização integral. Confira o percentual do seu contrato.
Exemplo ilustrativo do Guia do Auto. O percentual de cada seguro está nas condições contratuais (Circular Susep 639/2021, art. 10).
Quanto o seguro paga na perda total
Existem duas modalidades principais. No valor de mercado referenciado, o mais vendido, o seguro paga a cotação do carro numa tabela de referência indicada na proposta (quase sempre a Tabela FIPE), na data do sinistro, multiplicada pelo fator de ajuste, um percentual combinado na contratação, como 90%, 100% ou 110%. No valor determinado, o valor é fixo, escolhido no contrato, e não muda com a tabela.
Fator de ajuste na prática
Chevrolet Onix 2023 com FIPE de R$ 69.331 (outubro/2026)
Fonte: Tabela FIPE de outubro/2026 (versão de referência Onix Hatch 1.0 Turbo Aut. 2023). Conta do Guia do Auto, sem franquia nem outros descontos.
Do valor da indenização podem sair algumas partes antes de o dinheiro chegar a você. O exemplo abaixo usa números ilustrativos para mostrar a conta.
Do valor da FIPE ao que cai na conta
exemplo com Onix 2023, fator 100%, contrato que desconta franquia e carro financiado
R$ 69.331
− R$ 3.000
− R$ 20.000
R$ 46.331
Exemplo ilustrativo do Guia do Auto: franquia de R$ 3.000 e saldo devedor de R$ 20.000. A forma de pagar carro financiado deve estar no contrato (Circular 639, art. 14).
Atenção: Carro zero quilômetro tem regra própria: o contrato precisa dizer se existe um período em que a indenização segue um critério diferente (por exemplo, o valor de 0 km). Confira esse prazo na sua apólice.
Por que a Tabela FIPE do dia do sinistro pesa tanto
Como a indenização usa a cotação da data do sinistro, um carro que desvaloriza ao longo da vigência rende menos do que valia quando o seguro foi feito. O Guia do Auto acompanhou a mesma versão de carros populares, ano 2023, entre outubro de 2025 e outubro de 2026. O Onix passou de R$ 74.745 para R$ 69.331.
Quanto a indenização encolheu em 12 meses
mesma versão ano 2023, fator 100%, em reais
Fonte: Tabela FIPE, versão de referência de cada modelo no ano-modelo 2023, outubro/2025 e outubro/2026. Conta do Guia do Auto.
Onix 2023 na Tabela FIPE
versão de referência, R$ mil, a cada dois meses
- out/2574,7
- dez/2574,1
- fev/2672,2
- abr/2671,5
- jun/2670,7
- ago/2670
- out/2669,3
Fonte: Tabela FIPE, versão de referência de cada modelo no ano-modelo 2023, outubro/2025 e outubro/2026. Conta do Guia do Auto.
Por isso vale conferir o valor do seu carro de tempos em tempos na Tabela FIPE do Guia do Auto e, na renovação, comparar com o fator de ajuste oferecido. Para ver quem perde mais valor, confira os carros que mais desvalorizam.
Passo a passo da perda total
- Avise a seguradora assim que puder e registre o boletim de ocorrência quando houver roubo, furto ou acidente com vítima ou com terceiros.
- A seguradora faz a vistoria e o orçamento. Se passar do critério do contrato, o sinistro é tratado como indenização integral.
- Entregue os documentos básicos da lista das condições gerais. É a partir dessa entrega que contam os 30 dias.
- Se o carro for financiado, a seguradora segue a forma prevista no contrato, normalmente quitando o banco e pagando o restante a você.
- Com o pagamento, o carro passa para a seguradora, que cuida da transferência ou da baixa do registro, conforme o caso.
Antes de precisar: confira na sua apólice
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Perguntas frequentes sobre perda total
Perguntas frequentes
Quando o carro dá perda total no seguro?
Quando o prejuízo atinge o critério das condições contratuais, em geral um percentual do valor do carro, ou quando o veículo roubado ou furtado não é encontrado. Desde 2021 não há um percentual único fixado pela Susep.
A perda total ainda é com 75%?
Os 75% vinham da Circular Susep 269/2004, revogada pela Circular 639/2021. Muitos contratos ainda usam esse número, mas o que vale é o percentual escrito na sua apólice.
Quanto tempo o seguro tem para pagar a perda total?
Até 30 dias depois da entrega de todos os documentos básicos, segundo a Susep. Se a seguradora pedir documento complementar, o prazo fica suspenso.
O seguro paga a FIPE de quando contratei ou de quando bati?
No valor de mercado referenciado, vale a cotação na data do sinistro, multiplicada pelo fator de ajuste. No valor determinado, vale o valor fixo combinado na contratação.
Recebo o carro batido de volta?
Não. Na indenização integral, o salvado passa a ser da seguradora. A exceção é a cobertura parcial, em que o veículo fica com o segurado, salvo acordo diferente.
Tenho quanto tempo para reclamar a indenização?
O prazo de prescrição citado pela Susep é de 1 ano, contado da ciência do fato.
Esta matéria faz parte da série de seguro do Guia do Auto. Se você tem proteção veicular de associação, as regras são outras: veja proteção veicular ou seguro.
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Fontes deste guia
além do conteúdo do Guia do Auto
- Susep Circular Susep nº 639/2021: regras do seguro de automóvelPDF ↗
- Susep Seguro de automóveis: indenização integral, prazos e salvadogov.br/susep ↗
- Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) Preço médio de veículos, outubro de 2025 e de 2026veiculos.fipe.org.br ↗
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