Lubrificantes do carro: o guia completo
Óleo de motor, de câmbio, fluidos e graxas: qual usar, como ler o rótulo e quando trocar, pela ANP, SAE, API e pelo manual do carro.
Até que frio cada grau dá partida
temperatura do teste de partida a frio, SAE J300
Fonte: norma SAE J300 (2021), temperatura do teste de partida a frio (CCS) de cada grau de inverno.
Entre os lubrificantes automotivos, o óleo certo é o do manual: a ANP obriga esse aviso no rótulo, e o grau SAE, a letra API e o prazo de troca decidem mais pela vida do motor do que a marca na embalagem.
Na prateleira do posto ou da autopeças, o rótulo de um óleo de motor parece um código: 5W-30, API SP, sintético, dexos1, registro ANP. Quem não entende acaba escolhendo pelo preço ou pela propaganda, e esse é o jeito mais fácil de errar. O óleo é o único componente do carro que toca todas as peças móveis do motor ao mesmo tempo, e errar nele custa caro e demora a aparecer.
A boa notícia é que o rótulo foi feito para ser lido, e a regra é simples: cada número e cada sigla responde a uma pergunta prática. Até que frio o motor dá partida, quanto o óleo aguenta de calor, para qual geração de motor ele serve e se pode ser vendido no Brasil. Este guia de lubrificantes automotivos é a porta de entrada da área de Lubrificantes do Guia do Auto: explica o essencial de cada assunto e aponta o guia específico quando você quiser aprofundar.
O essencial
- O óleo certo é o do manual do carro: especificação e grau de viscosidade. A Resolução ANP nº 804/2019 obriga o rótulo a trazer o aviso “siga as recomendações do fabricante do veículo”.
- Mineral, semissintético e sintético não são opinião do vendedor: pela ANP, semissintético tem pelo menos 10% de base sintética, e sintético só usa bases sintéticas.
- No 5W-30, o 5W diz até que frio o óleo deixa o motor dar partida (-30 °C no teste da SAE J300) e o 30 diz quanto ele fica “grosso” com o motor quente.
- A letra API (SP, SN, SM…) é a geração do óleo. A mais nova cobre as anteriores. No Brasil, a ANP só registra óleo de motor a partir de API SL.
- Câmbio, freio, direção e rolamento usam outros lubrificantes automotivos: fluidos e graxas próprios. Óleo de motor no câmbio ou fluido errado no freio é problema na certa.
- Nível: confira com o carro nivelado e o motor desligado. Complete só até o MAX. Óleo demais também estraga.
- Aditivo “milagroso” e lavagem interna (flush) não entram: o manual do carro manda não adicionar nenhum produto ao óleo.
Óleo de cárter: o que é e por que o motor não roda sem ele
Óleo de cárter, óleo de motor e óleo lubrificante são a mesma coisa quando o assunto é carro, e é o mais importante dos lubrificantes automotivos. O nome vem do cárter, a bacia de metal parafusada embaixo do motor onde o óleo fica guardado. De lá, a bomba de óleo puxa o lubrificante e manda para cima, pelas galerias do bloco e do cabeçote, até cada mancal, cada came e cada pistão.
Sem esse filme de óleo, metal encosta em metal. Em segundos a temperatura dispara, as peças dilatam, travam e o motor “gripa”, como se diz na oficina. É por isso que a luz vermelha de pressão de óleo no painel é a única que pede parar na hora, e não “na próxima oportunidade”. Como o óleo circula e o que a pressão significa estão no guia de sistemas de lubrificação do motor: tipos e funcionamento.

Óleo básico
É a maior parte do que está no frasco. Pode ser mineral, tirado do petróleo e refinado, ou sintético, montado em laboratório. A ANP classifica as bases em cinco grupos, mostrados mais abaixo.
Aditivos
O “pacote” que o fabricante mistura na base: detergentes, dispersantes, antidesgaste, antioxidantes. É ele que faz o óleo limpar, proteger e durar o intervalo de troca.
Importante: luz de óleo acesa com o motor funcionando é parada imediata, com o motor desligado. O guia de pressão do óleo, respiro do cárter e vazamentos explica as causas mais comuns e o que dá para conferir antes de chamar o guincho.
Lubrificar, resfriar, limpar e vedar: as funções do óleo no motor
A função mais conhecida do óleo é diminuir o atrito. Mas, se fosse só isso, bastaria qualquer óleo. O que faz o óleo de motor ser um produto tão específico é que ele acumula cinco trabalhos ao mesmo tempo, dentro de um ambiente que mistura calor, gases de combustão, água, combustível e partículas de metal.
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Lubrificar
Forma um filme entre as peças que se movem, como virabrequim e mancais, para que elas deslizem sobre óleo, e não uma sobre a outra.
Resfriar
Leva o calor do fundo do pistão e dos mancais para o cárter, onde o ar e, em alguns motores, um trocador de calor ajudam a dissipar.
Limpar
Detergentes soltam depósitos e dispersantes seguram a fuligem em suspensão até a troca, em vez de deixar que ela vire borra.
Vedar
Preenche a folga mínima entre anel, pistão e cilindro. É o óleo que ajuda a segurar a compressão dentro da câmara.
Proteger
Neutraliza ácidos da combustão e cria uma barreira contra a ferrugem nas partes internas, principalmente com o carro parado.
Amortecer
Absorve choques nas engrenagens e nos tuchos, o que reduz ruído e desgaste nas peças que batem milhares de vezes por minuto.
Repare que três dessas funções, limpar, proteger e amortecer, dependem dos aditivos, e aditivo se gasta com o uso. É por isso que óleo “ainda limpinho na vareta” pode estar vencido: a base continua lá, mas o pacote que trabalha para ela já acabou. Quando isso acontece e como o óleo se degrada estão no guia de quando trocar o óleo do motor e como ele se degrada.
Mineral, semissintético ou sintético: os tipos de lubrificantes automotivos pela ANP
Essa é a dúvida que mais aparece no balcão, e a resposta tem lei. A Resolução ANP nº 804/2019, que regula o registro e o rótulo de todos os lubrificantes automotivos vendidos no Brasil, define os três tipos pela quantidade de óleo básico sintético na mistura. Não é o vendedor nem a embalagem quem decide o nome.
Mineral, semissintético ou sintético: o que diz a ANP
Resolução ANP nº 804/2019, art. 4º
Fonte: Agência Nacional do Petróleo (ANP), Resolução nº 804/2019, que define a classificação dos lubrificantes vendidos no Brasil.
Na prática, o mineral é a base mais simples e mais barata, e serve bem a motores antigos e a quem segue o intervalo de troca à risca. O semissintético é o meio-termo. O sintético aguenta mais calor e mais frio sem mudar de espessura, e por isso domina nos motores turbo e nos intervalos de troca mais longos dos carros atuais.
O que separa um do outro é o óleo básico, e a própria ANP classifica essas bases em cinco grupos. O detalhe que interessa ao dono é o índice de viscosidade: quanto maior, menos o óleo afina no calor e engrossa no frio.
Os 5 grupos de óleo básico
como a ANP classifica a base de todo lubrificante
Fonte: ANP, Resolução nº 804/2019, art. 4º, inciso IX. Índice de viscosidade: quanto maior, menos o óleo muda de espessura entre o frio e o quente.
A tabela explica uma discussão antiga: o óleo “sintético” de grupo III nasce do petróleo, mas passa por um refino tão pesado que a ANP o trata como base sintética, ao lado das polialfaolefinas do grupo IV. Para o motor, o que conta é o desempenho no rótulo, não a origem da molécula. As diferenças entre os tipos, e se dá para misturar, estão no guia de óleo sintético, mineral e aditivos: diferenças e misturas.
Dica: se o manual do seu carro pede sintético, não “economize” com mineral de mesmo grau: a base mineral perde viscosidade mais rápido no calor e não sustenta o intervalo de troca que o fabricante calculou.
Viscosidade: como ler o 5W-30 do rótulo
Viscosidade é a resistência do óleo a escorrer: mel é mais viscoso que água. No motor, o problema é que a viscosidade muda com a temperatura. Um óleo que escorre bem com o motor quente pode ficar grosso demais na partida de uma manhã fria na serra, e um óleo que flui bem no frio pode afinar demais no trânsito parado de verão.
A norma SAE J300 resolve isso com dois números. O que vem antes do W (de winter, inverno) é o grau de frio: a norma testa o óleo numa temperatura fixa para cada grau, e ele recebe o grau da temperatura mais baixa em que passa. Quanto menor o número, mais frio o óleo aguenta na partida.
Como ler o "5W" da embalagem
No 5W-30, o 5W diz até que frio o óleo deixa o motor dar partida: -30 °C no teste da norma SAE J300. Quanto menor o número antes do W, mais resistente ao frio.
Cada ponto do arco é um grau de inverno da norma SAE J300, do 25W (-10 °C) ao 0W (-35 °C). A seta mostra o 5W do exemplo. O grau certo para o seu carro está no manual.
O número depois do traço é a viscosidade com o motor quente, medida a 100 °C. Cada grau tem uma faixa mínima e máxima, e o gráfico abaixo mostra como ela sobe de um grau para o outro. O 30 e o 40 são os mais comuns nos carros de passeio no Brasil; os graus baixos, como 20 e 16, vêm crescendo com os motores pequenos e turbo, que pedem óleo mais fino para economizar combustível.
E o "30" do 5W-30? A viscosidade com o motor quente
viscosidade mínima a 100 °C de cada grau de verão, em cSt (SAE J300)
- SAE 84 cSt
- SAE 125 cSt
- SAE 166,1 cSt
- SAE 206,9 cSt
- SAE 309,3 cSt
- SAE 4012,5 cSt
- SAE 5016,3 cSt
- SAE 6021,9 cSt
Fonte: norma SAE J300 (2021). cSt é o centistoke, medida de viscosidade. Quanto maior o número depois do traço, mais "grosso" o óleo fica a 100 °C: o SAE 30 vai de 9,3 a menos de 12,5 cSt; o SAE 40, de 12,5 a menos de 16,3.
Juntando as duas partes, o 5W-30 é um óleo multiviscoso: dá partida como um óleo fino no frio e protege como um óleo de grau 30 no calor. Isso só é possível por causa de aditivos chamados melhoradores de índice de viscosidade, que seguram a espessura quando o óleo esquenta. O guia de viscosidade do óleo: o que significam 5W30, 10W40 e outros compara os graus mais vendidos e diz quando faz sentido subir ou descer um grau.
Atenção: grau “mais grosso” não é sinônimo de mais proteção. Motor projetado para 0W-20, como muitos compactos atuais, tem galerias e folgas feitas para esse óleo. Óleo mais viscoso demora a chegar às peças na partida, que é justamente quando ocorre a maior parte do desgaste.
API, ACEA e registro na ANP: o que o rótulo precisa ter
Viscosidade diz como o óleo se comporta com a temperatura. Ela não diz se o óleo tem o pacote de aditivos que um motor atual precisa. Para isso existem os níveis de desempenho, e o mais visto no Brasil é o da API, o instituto americano do petróleo. Para motores a gasolina e flex, a categoria começa com S, e a segunda letra avança no alfabeto a cada geração.
Categorias API para motores a gasolina e flex
a letra mais nova cobre as anteriores
Fonte: American Petroleum Institute (API), tabela oficial de categorias de serviço. No Brasil, a ANP só registra óleo de cárter com nível mínimo API SL (Resolução 804/2019, art. 14).
A regra que resolve a maioria das dúvidas: a categoria mais nova inclui o desempenho das anteriores. Se o manual pede API SN e o rótulo diz API SP, está coberto. O contrário não vale: um motor que pede SP não deve receber SM. A ANP, pela Resolução 804, só registra óleo de cárter com nível mínimo API SL, API CH-4 (diesel) ou ACEA vigente, então óleo “sem letra” ou com letra obsoleta simplesmente não pode estar à venda.
Além da API, o rótulo pode trazer siglas europeias (ACEA), japonesas (JASO), a ILSAC (norma de economia de combustível ligada à API) e especificações próprias de montadora, como a dexos1 exigida em manuais de alguns fabricantes. Todas são aceitas pela ANP como nível de desempenho. Como ler cada uma está no guia de normas do óleo: API, ACEA, SAE e JASO e como ler o rótulo.
E a ANP exige mais do que a sigla. Todo óleo de motor, de câmbio e toda graxa só podem ser vendidos no Brasil com registro prévio na agência, e o rótulo precisa trazer, em português, um conjunto mínimo de informações. Elas são a sua proteção contra produto falsificado ou reenvasado.
Natureza
Mineral, semissintético ou sintético, pela definição da ANP, e não pelo nome fantasia.
Grau SAE
A viscosidade pela J300. Óleo de câmbio automático é dispensado dessa indicação.
Nível de desempenho
API, ILSAC, ACEA, JASO ou NMMA, e, se houver, a especificação da montadora.
Registro na ANP
O número do produto na agência. Sem ele, o produto está irregular.
Validade e lote
Prazo de validade e identificação do lote impressos na embalagem.
O aviso
Em destaque: “Siga as recomendações do fabricante do veículo ou equipamento”. A lei manda o rótulo apontar para o manual.
Aditivos: o que já vem no óleo e por que não colocar nada a mais
Todo óleo de motor vendido com nível API já é uma receita fechada: base mais um pacote de aditivos dosado para passar nos testes da categoria. Cada aditivo tem uma função, e a tabela abaixo organiza os principais sem entrar em química de laboratório.
A tabela mostra por que o óleo tem prazo mesmo com pouco uso: detergente, dispersante e antioxidante se consomem trabalhando. E mostra por que o aditivo de prateleira, aquele frasco “restaurador” vendido no caixa, não entra na conta. Ele altera uma receita que foi testada inteira, e ninguém testou a mistura dele com o óleo que está no seu motor.
Importante: manuais de fabricantes são diretos: “não adicione nenhum produto ao óleo”, os óleos que atendem à especificação já bastam, e os lavadores internos de motor (flush) não são recomendados e podem causar danos sem cobertura da garantia. Se o seu manual diz o mesmo, a conversa acabou. O guia de óleo contaminado: água, combustível, borra e fuligem mostra o que de fato suja o óleo e como tratar a causa.
Câmbio, freio, arrefecimento e graxa: os outros lubrificantes automotivos
Óleo de motor é só um dos lubrificantes automotivos. Câmbio manual, câmbio automático, diferencial, direção hidráulica, freio e rolamentos usam fluidos diferentes, com especificações próprias, e o erro mais comum é achar que “óleo é tudo igual”. A tabela do manual de um compacto atual mostra como cada sistema tem o seu.
Cada sistema, um fluido: o exemplo de um compacto atual
exemplo: fluidos e lubrificantes do manual de um compacto 2026
Fonte: Chevrolet, manual do proprietário do Onix e Onix Plus 2026, "Fluidos e lubrificantes recomendados". Cada carro tem a sua tabela: confira a do seu manual.
Repare nos detalhes: o câmbio manual pede óleo de engrenagem SAE 75W85, uma numeração da norma SAE J306, diferente da J300 do motor; um 75W de câmbio não é “mais grosso” que um 5W de motor, são escalas distintas. O automático usa um fluido com especificação da montadora, que trabalha também como fluido hidráulico do conversor. E o freio usa fluido DOT, que não é óleo: é um líquido que precisa resistir ao calor sem ferver. As diferenças estão no guia de óleo hidráulico, de câmbio e de diferencial: diferenças.
Câmbio manual e diferencial
Óleo de engrenagem pela SAE J306 e nível API GL. Aguenta a pressão entre dentes de engrenagem, que o óleo de motor não suporta.
Câmbio automático e CVT
Fluido com especificação da montadora. Cor e viscosidade erradas travam embreagens e válvulas. Nunca completar “com o que tem”.
Freio e embreagem
Fluido DOT, que absorve umidade com o tempo. Por isso o manual manda conferir em toda inspeção e trocar por prazo, não por quilometragem.
Graxa
Óleo preso num espessante, para ficar onde o óleo líquido escorreria: rolamento de roda, juntas, dobradiças e terminais.

A graxa merece um parágrafo próprio, porque o rótulo dela também tem um número que confunde: o grau NLGI, que mede a consistência, e não a qualidade. A escala vai do 000, quase líquido, ao 6, um bloco sólido. A graxa NLGI 2, com consistência de pasta de amendoim, é a mais usada em rolamentos automotivos, segundo a fabricante Fuchs.
Consistência das graxas: escala NLGI
penetração do cone em 0,1 mm a 25 °C; quanto maior o número da barra, mais mole a graxa
Fonte: escala NLGI (ensaio ASTM D217), tabela conferida na Wikipedia e na Fuchs. A graxa NLGI 2 é a mais usada em rolamentos automotivos, segundo a Fuchs.
O gráfico mostra o ensaio por trás do número: um cone padronizado é solto sobre a graxa e mede-se quanto ele afunda. Quanto mais afunda, mais mole a graxa e menor o grau. Tipos de espessante, compatibilidade e onde usar cada uma estão no guia de graxa automotiva: tipos, grau NLGI e como escolher.
Cuidados e troca: nível, prazo e o que o manual manda
Tudo o que foi dito até aqui vira rotina em três cuidados: conferir o nível, trocar no prazo e usar o produto especificado. O manual de um compacto vendido no Brasil, o Onix 2026, serve de exemplo porque descreve cada um deles com detalhe, e a lógica vale para qualquer carro, com os números do seu manual.
Nível, prazo e volume: o que o manual de um compacto manda
Exemplo de um manual de compacto 2026, motor 1.0
- Troca do óleo1 anoou 10.000 km, o que vier primeiro
- Zerou o sistema por engano5.000 kmou 6 meses desde a última troca
- Completar o nívelaté 1 Lsó se estiver no MIN ou abaixo
- Capacidade com filtro3,75 Lóleo dexos1 SAE 0W20
Fonte: Chevrolet, manual do proprietário do Onix e Onix Plus 2026 (Óleo para motor, Manutenção programada e Capacidades). Valores de outros carros estão no manual de cada um.
O prazo de troca combina tempo e quilometragem, o que ocorrer primeiro, porque o óleo envelhece parado: condensação de água, oxidação e ácidos não esperam o hodômetro. Em carros com sistema de vida útil do óleo, o painel calcula o intervalo pelo uso real, mas o manual avisa que o sistema precisa ser zerado a cada troca, pois não zera sozinho.

- Estacione no plano e desligue o motor: o manual pede o carro nivelado e o motor na temperatura normal de trabalho, desligado. Inclinação altera a leitura.
- Espere o óleo descer: pelo menos 10 minutos, para o óleo que está nas galerias escorrer de volta ao cárter. Com o óleo frio, demora um pouco mais.
- Tire a vareta e limpe: use pano ou papel. A alça pode estar quente, então use luva ou toalha.
- Introduza até o fim e tire de novo: leia o nível. Ele precisa estar entre as marcas MIN e MAX.
- Complete só se chegou ao MIN: no exemplo, no máximo 1 litro de cada vez, com o óleo especificado, e confira de novo antes de fechar a tampa.
- Empurre a vareta até o final: vareta mal encaixada deixa entrar sujeira e dá leitura errada na próxima vez.
Atenção: óleo acima do MAX não é “reserva”. Pelo manual do carro, o excesso aumenta o consumo de óleo, encharca as velas e forma resíduo de carbono, e precisa ser drenado ou retirado por sucção. Se passou do ponto, não rode: tire o excesso.
Na troca, três regras do manual fecham o assunto. Nunca misture qualidades diferentes de óleo. Use só a especificação e a viscosidade indicadas, porque óleo diferente pode danificar o motor e cancelar a garantia. E troque o filtro a cada troca de óleo: filtro velho com óleo novo é óleo novo passando por sujeira velha.
Dica: óleo usado é resíduo perigoso e não vai no ralo nem no lixo. Oficinas, postos e lojas que vendem lubrificantes automotivos recebem o óleo usado para rerrefino; o próprio rótulo, por exigência da ANP, traz a orientação de destinação do produto e da embalagem.
O que muda para você
Para o dono de carro, entender o rótulo dos lubrificantes automotivos transforma a compra de óleo numa conferência de três itens: grau SAE, nível de desempenho e registro na ANP, todos comparados com o manual. Para quem gosta de carro, a diferença entre base, aditivo e viscosidade explica por que motores modernos pedem óleos tão finos. Para o profissional, é o argumento com fonte para o cliente que chega com o “aditivo milagroso” ou com um óleo mais grosso “para proteger mais”.
Dono de carro
Manual aberto na página de fluidos e lubrificantes automotivos, foto do rótulo do último óleo e nível conferido no plano. Três hábitos que evitam o conserto mais caro do carro.
No bolso
Óleo certo no prazo certo custa o preço de um frasco e um filtro. Motor gripado por óleo errado ou nível baixo custa o motor, e a garantia não cobre.
Profissional
ANP 804 para o rótulo, SAE J300 para o grau, tabela API para a categoria e o manual para a especificação. Quatro fontes que o cliente pode conferir.
O próximo passo é prático: abra o manual do seu carro na tabela de fluidos e lubrificantes automotivos, anote especificação e grau, e compare com o rótulo do óleo que está no motor hoje. Se bater, falta só o prazo. Se não bater, a próxima troca é a hora de corrigir. Qual foi a última vez que você conferiu o nível do óleo sem ser no posto?
Todos os guias de Lubrificantes9 guias
- Viscosidade do óleo: o que significam 5W30, 10W40 e outros
- Normas do óleo: API, ACEA, SAE e JASO e como ler o rótulo
- Óleo sintético, mineral e aditivos: diferenças e misturas
- Óleo contaminado: 4 sinais e como evitar
- Quando trocar o óleo do motor e como ele se degrada
- Pressão do óleo, respiro do cárter e vazamentos
- Sistemas de lubrificação do motor: tipos e funcionamento
- Graxa automotiva: tipos, grau NLGI e como escolher
- Óleo hidráulico, de câmbio e de diferencial: diferenças
Perguntas frequentes
O que é óleo de cárter e qual é a principal função dele no motor?
É o óleo do motor, guardado no cárter, a bacia embaixo do bloco. A função principal é formar um filme entre as peças móveis para que elas não se toquem. Ao mesmo tempo, ele resfria, limpa, veda a compressão e protege contra corrosão.
Qual é a diferença entre óleo mineral, semissintético e sintético?
A quantidade de óleo básico sintético, definida pela Resolução ANP nº 804/2019: o mineral tem menos de 10%, o semissintético tem 10% ou mais e o sintético usa só bases sintéticas. O sintético muda menos de viscosidade com a temperatura e sustenta intervalos de troca mais longos.
Posso misturar óleo mineral com sintético?
O manual do carro manda nunca misturar qualidades diferentes de óleo e usar só a especificação indicada, sob risco de perder a garantia. Numa emergência, completar o nível com um óleo de mesmo grau e mesmo nível API é melhor do que rodar com óleo baixo, mas troque tudo na primeira oportunidade.
O que significa 5W-30?
O 5W é o grau de frio: pela norma SAE J300, o óleo passa no teste de partida a -30 °C. O 30 é a viscosidade com o motor quente, a 100 °C, entre 9,3 e menos de 12,5 cSt. Juntos, descrevem um óleo multiviscoso que dá partida fácil no frio e protege no calor.
O que significa API SP e posso usar em carro mais antigo?
É a categoria atual da API para motores a gasolina e flex, introduzida em maio de 2020, com proteção contra pré-ignição em baixa rotação, comum em motores turbo. Pela API, a categoria mais nova cobre as anteriores, então um óleo SP serve para um motor que pedia SN, SM, SL ou SJ, desde que o grau SAE seja o do manual.
Vale a pena usar aditivo no óleo do motor?
Não, se o seu manual disser o que dizem os manuais atuais: não adicionar nenhum produto ao óleo, porque o óleo especificado já traz o pacote completo. Lavadores internos (flush) também não são recomendados e podem causar danos sem cobertura da garantia.
Posso usar óleo de motor no câmbio ou na direção hidráulica?
Não. Cada sistema tem fluido com especificação própria: o câmbio manual de um compacto 2026, por exemplo, usa óleo de engrenagem SAE 75W85, e o automático usa um fluido Dexron VI. Óleo de motor não aguenta a pressão entre engrenagens nem tem as propriedades hidráulicas do fluido de câmbio automático.
De quanto em quanto tempo trocar o óleo?
Pelo prazo do manual do seu carro, combinando tempo e quilometragem, o que vier primeiro. No Onix 2026, é uma vez por ano ou a cada 10.000 km, ou conforme o sistema de vida útil do óleo do painel, sempre com troca do filtro. Carro que roda pouco troca pelo tempo, porque o óleo envelhece parado.
Fontes deste guia
além do conteúdo do Guia do Auto
- ANP Resolução nº 804/2019: registro, classificação e rótulo dos lubrificantestexto da resolução ↗
- SAE International norma J300, graus de viscosidade dos óleos de motortabela SAE J300 (2021) ↗
- API categorias de serviço dos óleos de motorAPI oil categories ↗
- Chevrolet óleo do motor, fluidos, nível e manutenção programadaManual do Onix e Onix Plus 2026 ↗
- NLGI consistência das graxasFuchs, graus NLGI explicados ↗tabela NLGI (Wikipedia) ↗
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