Montadoras chinesas correm contra o imposto de 35% e aceleram desembarques no Brasil
A corrida das montadoras chinesas por veículos elétricos e híbridos no Brasil ganhou um novo fôlego. Diante da iminente alta do imposto de importação para 35%, programada para julho de 2026, empresas como BYD e Geely intensificaram os desembarques de milhares de unidades em portos nacionais. A estratégia visa garantir o abastecimento do mercado antes da mudança tributária, que impacta diretamente os custos para consumidores e frotistas.
A BYD, por exemplo, realizou uma operação logística em tempo recorde no porto de Itajaí, Santa Catarina, mobilizando 150 trabalhadores e 90 caminhões-cegonha para retirar 4.500 veículos em apenas 24 horas. Essa ação demonstra a urgência em escoar os estoques antes que o novo cenário tributário entre em vigor, afetando a competitividade dos modelos importados.
Operações logísticas em larga escala antes da virada tributária
A operação em Itajaí exigiu um plano logístico especial, com fechamento de ruas e criação de rotas de acesso para os caminhões. O volume foi tão grande que o porto se tornou palco central na disputa por participação no mercado automotivo brasileiro. A expectativa é que a BYD traga outro navio com 7.200 automóveis elétricos ainda em 2026.
A Geely também ampliou suas importações. Após o rápido esgotamento do primeiro lote do modelo EX2, a marca reforçou o envio de veículos ao país. Um navio recente aportou no Paraná com 5.101 carros de diversas marcas chinesas, incluindo um lote extra da Geely. A previsão é que até o final de julho, a quantidade de automóveis desembarcados possa atingir 20.000 unidades.
Entenda a mudança tributária e o impacto no mercado
A alta do imposto de importação é a principal motivação por trás dessa corrida. Em julho de 2026, carros elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais passarão a ter uma alíquota de 35%. Atualmente, as taxas são menores: 25% para elétricos, 28% para híbridos plug-in e 30% para híbridos convencionais. Em 2024, essas alíquotas eram ainda mais baixas.
Além do imposto, o fim das cotas de importação até 30 de junho de 2026 também pressiona as montadoras. Elas têm limites de valores para importar com isenção: US$ 43 milhões para híbridos, US$ 75 milhões para híbridos plug-in e US$ 141 milhões para elétricos.
A tabela acima ilustra a progressão das alíquotas de imposto de importação para veículos eletrificados, evidenciando o aumento significativo que afetará os preços no mercado brasileiro. Essa mudança tributária, combinada com o fim das cotas, acelera a estratégia das montadoras chinesas de trazer o máximo de veículos possível antes das novas regras.
Mercado aquecido e futuro da importação
A demanda por veículos eletrificados no Brasil tem crescido, com 83.497 unidades emplacadas no primeiro trimestre de 2026, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico. No entanto, espera-se que o segundo semestre de 2026 traga uma mudança no cenário, com a chegada de mais kits CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) para montagem local, e menos veículos prontos importados.
Mesmo com o início das operações de montadoras como BYD na Bahia e GWM em São Paulo, o Brasil continuará recebendo lotes expressivos de carros importados após a alíquota de 35%. Contudo, essas chegadas tendem a ser mais pontuais, focadas em modelos que ainda não têm produção nacional. A adaptação dos consumidores, frotistas e oficinas às novas realidades de mercado será crucial para navegar este período de transição.
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