Híbridos a etanol ganham destaque em meio à eletrificação
A eletrificação avança no mercado automotivo, mas em um ritmo mais lento que o esperado, concedendo sobrevida aos veículos a combustão e impulsionando o protagonismo dos biocombustíveis, especialmente o etanol. Nesse cenário, os modelos híbridos despontam como a principal aposta das montadoras para cumprir as metas de descarbonização da indústria.
A combinação da tecnologia híbrida com o uso de um combustível renovável como o etanol coloca o Brasil em uma posição vantajosa na corrida pela sustentabilidade automotiva. Essa sinergia aproveita o amplo conhecimento e costume do consumidor local com o biocombustível, somada ao avanço das tecnologias de eletrificação, muitas vezes com componentes de origem chinesa.
A força dos híbridos flex no Brasil
O Programa de Controle de Emissões Veiculares (PROCONVE), que entrou em vigor no ano passado, exige uma redução drástica das emissões de poluentes até 2032, o que acelera a busca por soluções mais limpas. É nesse contexto que surge o híbrido flex, uma tecnologia que une o motor elétrico, capaz de recuperar energia nas frenagens ou ser carregado externamente, a um motor a combustão que pode operar com gasolina e etanol.
“Você usa a nova tecnologia [eletrificação] e ainda continua usando o cenário do combustível renovável que o Brasil tem amplamente disponível”, explica Gilberto Martins, diretor de assuntos regulatórios da Anfavea. Essa combinação, aliada aos 50% de energia renovável que o país já utiliza em sua matriz energética, confere ao Brasil uma vantagem estratégica na transição para uma indústria menos poluente.
Montadoras apostam em novos modelos híbridos flex
A Toyota já foi pioneira ao lançar o primeiro híbrido flex no mercado brasileiro. A expectativa é que até o final de 2026, pelo menos mais 15 modelos com essa tecnologia cheguem às ruas, com marcas como BYD, Chevrolet, Grupo Stellantis, Renault e Geely já em fase de desenvolvimento.
Milad Kalume Neto, diretor executivo da K. Lume Consultoria, prevê uma alta acelerada na adoção de modelos híbridos flex, especialmente com a chegada de veículos eletrificados chineses equipados com motores flex. Ele aponta que, enquanto os veículos 100% elétricos podem permanecer como um nicho de mercado, os híbridos serão o caminho para as montadoras atingirem uma fatia maior do mercado, cumprindo as novas exigências de emissões.
Etanol: um biocombustível perene e robusto
Gabriel Estevam, diretor de PD&I da Ambipar, destaca a solidez e perenidade do mercado de biocombustíveis. Ele ressalta que, diferentemente dos carros 100% elétricos, que demandam novas infraestruturas de recarga, os veículos híbridos flex operam de forma sinérgica com a eletricidade e o etanol já disponíveis.
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A tecnologia híbrida flex brasileira também abre portas para a exportação. Martins, da Anfavea, sugere que mercados como Índia, países da África e vizinhos na América do Sul, que já estão introduzindo o etanol, podem ser receptivos a essa inovação. “É uma possibilidade muito grande, até pelo Brasil ser pioneiro nessa tecnologia flex”, afirma.
O futuro da mobilidade no Brasil é híbrido e flex
A janela de oportunidade para as vendas de veículos com essa tecnologia está aberta, e a urgência é clara. “Não pode esperar 2060”, alerta Kalume Neto, reforçando a necessidade de adaptação e inovação para o futuro da mobilidade.
A convivência entre veículos a combustão e elétricos, com os híbridos flex atuando como ponte, é a realidade prevista para os próximos anos no Brasil. A sustentabilidade se mostra uma jornada adaptável, onde o conhecimento local e as tecnologias emergentes se unem para criar soluções viáveis e eficientes.


