Veículos híbridos a etanol ganham protagonismo
A transição energética no setor automotivo brasileiro presencia um movimento notável: os veículos híbridos a etanol estão cada vez mais em destaque. Apesar do avanço da eletrificação, a velocidade tem sido menor que o previsto, permitindo que modelos a combustão, especialmente os que combinam propulsão a combustão com motores elétricos e utilizam biocombustíveis, ganhem força.
A combinação da tecnologia híbrida com o etanol, um combustível renovável amplamente disponível no Brasil, surge como uma fórmula promissora para atender às metas de descarbonização. Essa sinergia entre o know-how local com o biocombustível e a tecnologia de baterias, muitas vezes de origem asiática, posiciona o Brasil de forma estratégica nesse cenário global.
A estratégia flex para um futuro mais limpo
Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), ressalta que a “guerra é contra a descarbonização”, indicando que saltos tecnológicos são cruciais e precisam ser complementados por novas opções, como os híbridos. Ele prevê uma convivência prolongada entre veículos a combustão e elétricos, com realidades distintas entre os países.
Gilberto Martins, diretor de assuntos regulatórios da Anfavea, aponta o Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve) como um impulsionador para a adoção do híbrido flex. “Você usa a nova tecnologia [eletrificação] e ainda continua usando o cenário do combustível renovável que o Brasil tem amplamente disponível”, explica. A combinação do potencial energético renovável do Brasil com a tecnologia híbrida flex confere ao país uma vantagem competitiva na redução de emissões.
Montadoras apostam na tecnologia híbrida flex
A Toyota foi pioneira ao introduzir no mercado brasileiro um veículo híbrido flex, unindo a eletrificação a um motor a combustão capaz de operar com gasolina ou etanol. Para 2026, a expectativa é que o mercado conte com pelo menos outros 15 modelos dessa tecnologia, com a participação de montadoras como BYD, Chevrolet, Grupo Stellantis, Renault e Geely.
Milad Kalume Neto, diretor executivo da K. Lume Consultoria, antecipa um crescimento acelerado desses modelos, especialmente com a chegada de veículos eletrificados chineses equipados com motores flex. “O movimento para utilização do flex híbrido tende a se consumar como uma das melhores alternativas, principalmente aqui no Brasil”, afirma.
Híbridos flex: um nicho em ascensão
A visão predominante é que os veículos 100% elétricos ainda ocuparão um nicho de mercado, enquanto os híbridos se consolidam como uma importante fatia para as montadoras alcançarem as novas regras de emissão. Gabriel Estevam, diretor de PD&I da Ambipar, destaca a solidez do mercado de biocombustíveis.
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“Por mais que o uso dos carros elétricos esteja em ascensão, o mercado de biocombustíveis é extremamente perene e robusto.”
Enquanto carros elétricos dependem de novas infraestruturas de abastecimento, os híbridos flex oferecem a vantagem de utilizar tanto a eletricidade quanto o etanol de forma sinérgica, aproveitando a rede já existente para o biocombustível.
Potencial de exportação e o futuro da mobilidade
A tecnologia híbrida flex desenvolvida no Brasil também apresenta potencial para exportação. Martins, da Anfavea, vislumbra oportunidades em mercados como Índia, países africanos e vizinhos sul-americanos, onde a introdução do etanol está em andamento. “É uma possibilidade muito grande, até pelo Brasil ser pioneiro nessa tecnologia flex”, avalia.
O consultor Kalume Neto alerta que a janela de oportunidade para o mercado automotivo se adaptar às novas demandas de emissão está aberta e não pode ser ignorada. A evolução para veículos mais limpos é um caminho sem volta, e os híbridos a etanol representam um passo significativo nessa jornada para o mercado brasileiro.


