Recorde no primeiro trimestre de 2026
O mercado automotivo brasileiro registrou um feito notável nos primeiros três meses de 2026, com o emplacamento de 100 mil veículos eletrificados. O número, divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), supera em quase o dobro os 54 mil emplacamentos registrados no mesmo período do ano anterior, indicando uma consolidação acelerada desses modelos como realidade no país.
Igor Calvet, presidente da Anfavea, destacou o ritmo de crescimento, com uma média mensal de 15% nos emplacamentos de eletrificados. “Cem mil emplacamentos de eletrificados é um número bastante surpreendente”, afirmou Calvet, ressaltando a importância de observar essa tendência se consolidar mês após mês no mercado nacional.
Produção local ganha força
Um dado relevante que acompanha esse crescimento é o aumento da participação de veículos eletrificados produzidos no Brasil. Nos primeiros três meses de 2026, 42% do total emplacado foi fabricado em território nacional, um salto significativo em comparação com os 23% registrados no mesmo período de 2025. Isso reflete um movimento importante para a indústria automotiva local.
Desafios e oportunidades com a chegada de montadoras estrangeiras
Calvet também comentou sobre a crescente presença de montadoras estrangeiras, especialmente chinesas, no mercado brasileiro. Ele defende que a chegada desses novos players não se limite apenas à comercialização, mas que se estenda à produção local. “O que defendemos é que a chegada dos chineses não se dê apenas na linha de comercialização”, pontuou o presidente.
A Anfavea entende que empresas com histórico no Brasil possuem cadeias de produção robustas e profundo conhecimento do consumidor local. A expectativa é que, com o tempo, ocorra uma “acomodação natural” e que as novas empresas se “enraízem” com plantas produtivas no país, o que seria saudável para o desenvolvimento do mercado brasileiro.
| Origem dos Veículos Importados Vendidos (Jan-Mar 2026) | Unidades | Crescimento vs. Jan-Mar 2025 |
|---|---|---|
| China | 54.200 | 68,9% |
Os dados da Anfavea mostram que a China se consolidou como o maior exportador de veículos para o Brasil nos últimos oito meses consecutivos. Entre janeiro e março de 2026, 54,2 mil veículos importados vieram da China, um aumento de 68,9% em relação aos 32 mil do mesmo período de 2025. Com isso, a Argentina, que antes liderava, perdeu essa posição.
Discussão sobre modelos de produção e impostos
O presidente da Anfavea reiterou que a entidade não se opõe a investimentos de capital estrangeiro, mas defende um modelo de produção que envolva processos completos, como soldagem, estamparia, pesquisa e desenvolvimento local, e o uso de fornecedores nacionais. Ele contrastou isso com a simples importação e montagem de veículos.
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Calvet mencionou que a isenção de imposto de importação para kits CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados) de veículos eletrificados, que expirou em 31 de janeiro de 2026, provavelmente não será retomada. A Anfavea trabalha com esse cenário, apesar de defender a manutenção de um modelo de produção que gere empregos e movimente a economia local, similar ao que Estados Unidos e Europa buscam com medidas de proteção.
Cenário de vendas e produção em março de 2026
Março de 2026 se destacou como o melhor mês em emplacamentos desde 2013, com 269,4 mil unidades vendidas, um aumento de 45% em relação a fevereiro e 37,5% na comparação anual. No acumulado do primeiro trimestre, as vendas totalizaram 625,1 mil unidades, um crescimento de 13,3% sobre o ano anterior.
A produção de veículos no Brasil também apresentou resultados positivos em março, alcançando 264,1 mil unidades. Este volume representa o melhor resultado mensal desde outubro de 2019, com alta de 27,6% em relação a fevereiro e 35,6% em relação a março de 2025. A produção trimestral acumulou 634,7 mil autoveículos, um aumento de 6%.
Apesar dos números positivos, Calvet ressaltou a cautela para o restante do ano, citando a taxa de juros Selic ainda alta em 14,75% ao ano e as oscilações no preço do petróleo e do dólar, influenciadas por eventos geopolíticos.


