Quando parecia que a combustão estava condenada, gigantes da indústria se juntaram e criaram um motor a gasolina que promete fazer mais de 3 litros por 100 km e reacende a esperança de quem quer rodar mais gastando bem menos combustível
Em um cenário onde a eletrificação dita o ritmo das inovações, um projeto audacioso surge para desafiar o fim anunciado dos motores a combustão. Gigantes da indústria automotiva uniram forças e apresentaram um motor híbrido a gasolina com um índice de consumo impressionante: menos de 3,3 litros a cada 100 quilômetros rodados no exigente ciclo europeu WLTP. Essa façanha técnica, batizada de HORSE H12 Concept, promete recolocar a eficiência dos propulsores a gasolina no centro do debate sobre a mobilidade do futuro, especialmente para motoristas e consumidores que buscam economizar no dia a dia.
- Quando parecia que a combustão estava condenada, gigantes da indústria se juntaram e criaram um motor a gasolina que promete fazer mais de 3 litros por 100 km e reacende a esperança de quem quer rodar mais gastando bem menos combustível
- Um salto de eficiência com gasolina renovável
- Gasolina Nexa 95: O combustível do futuro?
- Combustão interna na transição energética: um caminho complementar
- Desafios e o futuro para os motoristas brasileiros
O projeto, fruto da colaboração entre a Horse Powertrain e a Repsol, não apenas foca na drástica redução de consumo, mas também utiliza gasolina de origem 100% renovável, um passo importante na busca por alternativas mais sustentáveis. O dado de consumo equivale a rodar aproximadamente 30 quilômetros com apenas um litro de combustível, um feito notável para um motor a combustão interna, mesmo com a assistência elétrica.
Um salto de eficiência com gasolina renovável
O HORSE H12 Concept representa uma redução de consumo de cerca de 40% quando comparado à média dos carros novos a gasolina vendidos na Europa em 2023, considerando os mesmos padrões de teste. Embora ainda seja um protótipo e não esteja disponível para o consumidor final, a tecnologia valida a aposta em evoluções para a combustão.
O H12 é derivado do conhecido motor HR12, um três-cilindros de 1.2 litro utilizado em modelos do grupo Renault. No entanto, ele passou por modificações significativas para operar em um sistema híbrido e para ser compatível com combustíveis renováveis, elevando sua eficiência térmica máxima para 44,2% – um índice que mede a conversão de energia do combustível em trabalho mecânico.
Para alcançar esse resultado, a combinação de tecnologias é crucial:
- Taxa de compressão elevada de 17:1.
- Recirculação otimizada dos gases de escape.
- Turbo compressor aprimorado.
- Sistema de ignição de alta energia.
- Transmissão híbrida com gerenciamento eletrônico avançado.
A estratégia principal é manter o motor a combustão operando em suas faixas de maior eficiência. A parte elétrica entra em ação em momentos críticos de maior consumo, como arrancadas, retomadas de velocidade e variações rápidas de carga, minimizando as perdas de energia inerentes aos motores térmicos.
Gasolina Nexa 95: O combustível do futuro?
A Repsol desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento, fornecendo combustíveis e lubrificantes de baixa fricção. O H12 Concept foi projetado para funcionar com a gasolina Nexa 95, um combustível 100% renovável produzido pela empresa. Segundo a Repsol, a Nexa 95 pode ser utilizada em veículos a gasolina atuais sem a necessidade de modificações nos carros ou na infraestrutura de abastecimento.
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A produção industrial deste combustível renovável já foi anunciada no complexo de Tarragona, na Espanha. A grande vantagem reside no balanço líquido de CO₂. A Repsol afirma que a gasolina renovável pode reduzir as emissões líquidas de CO₂ em mais de 70% em comparação com a gasolina convencional. Para o H12 Concept, a estimativa é que um carro médio equipado com este conjunto, rodando 12.500 km por ano, poderia emitir até 1,77 tonelada de CO₂ a menos anualmente.
Combustão interna na transição energética: um caminho complementar
A União Europeia estabeleceu metas ambiciosas, visando que a partir de 2035, todos os carros novos comercializados na UE não emitam CO₂. Contudo, essas regras não proíbem veículos a gasolina e diesel já existentes. Nesse contexto, o desenvolvimento de motores híbridos mais eficientes, como o H12 Concept, surge como uma solução complementar para reduzir as emissões durante o processo de renovação da frota automotiva.
Para que tecnologias como essa cheguem ao mercado de massa, fatores como escala industrial, disponibilidade de combustíveis renováveis, custo para o consumidor e aceitação regulatória são determinantes. A estrutura da Horse Powertrain, com participação do Renault Group, Geely e Aramco, demonstra o investimento contínuo em tecnologias de motores a combustão, híbridos e combustíveis alternativos.
Desafios e o futuro para os motoristas brasileiros
A transição de um conceito tecnológico para um produto de série envolve desafios significativos. É preciso comprovar durabilidade, custos competitivos, manutenção viável e desempenho consistente em condições reais de uso, e não apenas em laboratório. A disponibilidade e o custo do combustível renovável também são pontos cruciais.
Para o motorista brasileiro, a promessa de rodar mais de 30 km por litro com um motor a gasolina renovável ainda é uma perspectiva distante. No entanto, o projeto indica que a pesquisa e o desenvolvimento em motores térmicos continuam ativos, buscando sinergia com a eletrificação e combustíveis de menor impacto ambiental. Enquanto a frota global ainda é majoritariamente composta por veículos a combustão, inovações como o HORSE H12 Concept mostram que a esperança de rodar mais gastando menos combustível está longe de acabar.


