SP avança com isenção de IPVA para motos pequenas, mas limite de 150 cc exclui modelos 160 mais populares
O Governo de São Paulo enviou à ALESP um projeto que cria isenção de IPVA para motos até 150 cilindradas de pessoas físicas. A proposta, se aprovada, vale a partir de 1º de janeiro de 2026 e exige situação regular de registro e licenciamento.
A medida mira aliviar custos de quem usa a moto como ferramenta de trabalho e deslocamento diário. A lógica é reduzir a carga sobre veículos mais simples, comuns em rotinas urbanas e em serviços de entrega em todo o estado.
Quem será afetado diretamente? Motociclistas com motos de até 150 cc e perfis profissionais, como entregadores e prestadores de serviço, de acordo com o governo paulista. Mas o recorte técnico já provoca debate no mercado.
Isenção de IPVA: o que está no projeto e quando vale
O texto altera a Lei 13.296/2008 e estabelece isenção de IPVA para motocicletas, ciclomotores e motonetas até 150 cc. A mudança foi enviada em regime de urgência e está alinhada às regras fiscais do estado.

Segundo o governo, a proposta considera projeções orçamentárias e a atualização da Tabela Fipe para 2026. O benefício valerá apenas para veículos em situação regular, evitando distorções no licenciamento.
Por que o limite técnico? A faixa de 150 cc sempre foi referência de entrada no Brasil. No entanto, a indústria migrou várias linhas para 160 cm³, o que cria um vácuo para modelos hoje líderes de venda.
O que acontece se a ALESP aprovar sem mudanças? Em 2026, motos até 150 cc de pessoas físicas ficariam isentas. Acima disso, segue a cobrança integral, sem transição prevista no texto atual.
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Qual é o problema imediato? O mercado de baixa cilindrada adotou motores um pouco maiores sem mudar a proposta de valor. Na prática, modelos 160 são populares e baratos, mas ficariam sem a isenção de IPVA.
Quem ganha e quem fica de fora: impacto por modelo
A exclusão chama atenção porque a Honda CG 160 é a moto mais vendida do país. Com 162,7 cm³ de capacidade, ela ultrapassa o teto e não seria contemplada. O mesmo vale para a Honda Bros 160.
Outras scooters urbanas, como Honda PCX 160 e Yamaha NMax, também superam o limite. Até a Haojue DK 160 segue a mesma faixa. Ou seja, boa parte do volume popular ficará de fora da renúncia.
Quem deve ser beneficiado? Modelos até 150 cc, incluindo motos de entrada e ciclomotores, comuns em cidades menores e no interior. São perfis de uso que também compõem o trabalho diário nas ruas.
Faz sentido manter a fronteira em 150 cc quando o mercado migrou para 160 cm³? Essa é a pergunta que cresce entre consumidores e concessionárias, que veem chance de revisão negociada no Legislativo.
Mini-análise: Ao privilegiar 150 cc, o estado reduz custos para parte do público, mas cria um corte que penaliza a cesta de modelos mais vendidos. Há risco de distorcer a decisão de compra no curto prazo.
| Modelo | Cilindrada | Status no PL | Observação |
|---|---|---|---|
| Honda CG 160 | 162,7 cm³ | Fora | Líder de vendas, excede 150 cc |
| Honda Bros 160 | 162,7 cm³ | Fora | Uso misto urbano e rural |
| Honda PCX 160 | 156,9 cm³ | Fora | Scooter urbana popular |
| Yamaha NMax | 155 cm³ | Fora | Scooter com foco em mobilidade |
| Haojue DK 160 | 162 cm³ | Fora | Street acessível |
| Modelos até 150 cc | Até 150 cm³ | Isentos | Se aprovada a lei em 2026 |
Efeito no bolso e no mercado: entregadores, revendas e arrecadação
Entregadores são o público direto do benefício. Muitos rodam com motos até 150 cc e veriam alívio no custo fixo anual. Para quem está no limite dos gastos, o impacto pode ser decisivo.
Mas há um ângulo sensível: a frota 160 domina as ruas da capital e de grandes cidades. Sem isenção de IPVA, parte relevante dos trabalhadores urbanos pode não sentir o efeito proposto.
Revendas e fabricantes podem ajustar o mix de produtos. Curto prazo pode acelerar a busca por 125 e 150 cc, enquanto 160 pode sofrer desconto extra ou campanhas para compensar a tributação mantida.
E a arrecadação? O governo afirma considerar projeções fiscais e a Lei de Responsabilidade Fiscal. A renúncia é calibrada pela Tabela Fipe de 2026, mas sem detalhar valores por faixa e por modelo.
Mini-análise: Se a adesão ao benefício concentrar trocas de 160 para 150 cc, a renúncia pode ser menor que o esperado. Porém, se a frota de 150 crescer demais, a pressão sobre receitas futuras aumenta.
- Isenção vale para pessoas físicas, não para pessoas jurídicas.
- Exige licenciamento e registro em dia para ter o benefício.
- Entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, se aprovada na ALESP.
- Altera a Lei 13.296/2008 que trata do IPVA no estado.
Como ficam as scooters urbanas? O teto derruba a competitividade das 160 diante das 125. Em cidades com topografia acidentada, o torque extra das 160 era fator importante de escolha no dia a dia.
Consumidores podem adiar compras à espera de uma definição legislativa. Indefinição regula preço de usado e estoque de seminovos 160, com oferta maior e possível desvalorização temporária.
Haverá espaço fiscal para ampliar o teto para 160? O governo indica que o projeto foi pensado para caber nas projeções. Qualquer ajuste exigirá nova conta de impacto e eventual compensação.
Correção possível: por que 160 cm³ ficou de fora e quais os cenários
Por que o 160 ficou fora do corte? A justificativa técnica é histórica. Contudo, o mercado mudou e o consumidor migrou junto. Uma atualização do teto seria coerente com o cenário atual de vendas.
Um caminho seria criar faixa intermediária de redução. Outra opção, mais direta, seria ampliar o teto para 160 cm³ e restringir por valor de mercado, mitigando o impacto fiscal sem perder foco social.
Outra ideia em debate é atrelar a isenção de IPVA a critérios de renda ou de uso profissional. Isso direcionaria o benefício para quem vive da moto, independentemente da cilindrada exata.
O governo alega que a proposta respeita a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ajustes discutidos na ALESP precisarão preservar esse compromisso, mantendo a segurança orçamentária do estado.
Faz sentido penalizar o 160 por uma diferença técnica mínima? Em termos de mobilidade e custo de aquisição, a lacuna entre 150 e 160 é pequena. Em uso real, o ganho de eficiência pesa para quem trabalha.
Na capital, o uso da moto cresce com plataformas de entrega e deslocamentos curtos. O próprio governo reconhece o papel social e econômico das duas rodas, como reiterou Tarcísio de Freitas.
Um ajuste no teto alinharia a política ao padrão atual do setor. A solução evitaria a paradoxal exclusão de ícones como a Honda CG 160, que representam o grosso do fluxo de trabalho sobre duas rodas.
- Manter 150 cc: menor renúncia, mas exclusão de grande volume de 160.
- Expandir a 160 cm³: maior alcance social, exige contrapartidas fiscais.
- Critério por valor Fipe: foca preço e preserva as entradas populares.
Os próximos passos dependem da tramitação na ALESP. A urgência encurta a janela de debates, mas a reação de consumidores e do setor deve pautar emendas e negociações de plenário.
Para o motociclista, a mensagem é clara: acompanhe a votação e confira a cilindrada no documento. Em 2026, a isenção de IPVA pode significar uma economia real, mas só dentro do recorte legal.
A política pública busca equilíbrio entre justiça social e responsabilidade fiscal. Ainda assim, quando a moto mais vendida fica de fora, o sinal é de que há espaço para calibragem fina no texto.
A isenção de IPVA para motos até 150 cilindradas é um passo relevante. Para virar referência nacional, porém, o desenho precisa contemplar a realidade de mercado e o perfil de quem mais precisa.
No fim, o objetivo é simples: ampliar mobilidade, reduzir custos e preservar contas públicas. Com ajuste técnico, a medida pode unir eficiência econômica e impacto social num mesmo pacote.
Até que a lei seja votada, o cenário favorece decisões ponderadas de compra. Quem está entre 150 e 160 cm³ deve comparar total de propriedade, incluindo IPVA, seguro, manutenção e consumo.
Se a faixa subir, a atratividade de modelos como CG 160, Bros 160, PCX 160 e NMax aumenta. Se não subir, o mercado pode inverter a preferência para 125 e 150, reajustando a paisagem das ruas.
Na prática, políticas bem calibradas ajudam a reduzir informalidade no licenciamento, elevam segurança e renovam a frota. O detalhamento técnico, como o teto de cilindrada, define quem entra e quem sai.
O debate está posto. A isenção é desejada por milhões, mas a regra precisa conversar com a moto que o brasileiro realmente usa. O 160 virou padrão. Ignorá-lo cobra preço em equidade e efetividade.
Enquanto isso, lojas e consórcios deverão ajustar ofertas e prazos. O consumidor de entrada observa com lupa a planilha mensal. Um IPVA a menos pode ser o que falta para equilibrar as contas.
No interior, a vantagem para 150 cc pode ser decisiva, pois o perfil de uso alterna trabalho e deslocamentos longos. Já nas capitais, a pressão por incluir 160 tende a ser mais forte e organizada.
Em síntese, o projeto acerta o alvo social, mas erra o calibre de mercado. A solução é simples e conhecida: alinhar o limite técnico à cesta real de vendas sem perder responsabilidade fiscal.
Se vier uma emenda de ajuste, a política terá alcance mais amplo e coerente. Se ficar como está, entregadores das cidades grandes seguirão arcando com o IPVA integral em motos 160 populares.
O relógio corre para 2026. Até lá, todas as atenções estarão voltadas à ALESP e ao diálogo entre governo, setor e sociedade. O desfecho definirá quem verá o IPVA zerado e quem ficará no meio-fio.


